sábado, 30 de junho de 2012

Ampulheta


eu peguei um giz e rabisquei 
tudo que sobrava
saiu tudo
e mesmo 
assim 
nada

eu perdi 
o giz no chão
por meia dúzia 
de segundos e palavras
aqui embaixo está frio, mas carrego tudo


 tudo





domingo, 17 de junho de 2012

Bruxismo


Sono que não se convence ao dormir
Cabeça latejando uma dor ressonante
Domingo eterno

Pesadelos solitários:
Preciso pegar o próximo ônibus
Mezaninos instáveis
Não há embarque

Escadarias por todos os lados
Porta fechada
Não vejo a saída e minhas pernas já doem

Achei você no corredor central
Corro como nunca o fiz antes
Acordo como nunca doeu antes

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A dor

A dor andará lado a lado comigo
Dia após dia
Vento por vento
Sol, Lua, teto

Essa dor vai ficar
Como um risco na árvore
A estrela de Pólux a inclinar para a
Constelação de Câncer

Uma dor devagar
Onda que salga
Frio que desidrata
Amarelar das páginas

Essa dor vai pulsar
Sangrando em ardor
Cheiro de cravo
Canela que falta

A dor permanecerá
Sofrimento oscilante
Lágrima eterna
Amor verdadeiro

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Círculo


No sonho nós estávamos sentados em círculo, com outros jovens.
Um círculo de carteiras escolares onde as pessoas logo começariam uma roda de discussão, como tantas outras em que vivi e que compartilhamos.
Antes de começar, você se levantou, e ia em direção à alguma secretaria, levar o papel com as disciplinas escolhidas pra cursar.
"Olha a descrição delas - você me dizia - é a sua cara! Você vai ficar aí?" Faço cara de preguiça, sorrio e uma ciranda é puxada pela pessoa sentada ao meu lado. Palmas, versos pueris, batuques e um sorriso naquele rosto desconhecido mas muito amigável.
Os versos iam correndo melodia a fora e eu batendo palmas, tentando acompanhar a letra que eu não sabia mas que acabara de compor na inconsciência.
Você não se despediu, porque eu sabia que voltaria a tempo de começar a atividade, a tempo de me puxar para a ciranda.