(leia ouvindo http://www.youtube.com/watch?v=x6KkJ6-Ecxw)
um poema é uma cidade cheia de ruas e esgotos
cheia de santos, heróis, pedintes, loucos,
cheia de banalidade e bebedeira,
cheia de chuva e trovão e períodos de seca,
um poema é uma cidade em guerra,
um poema é uma cidade perguntando ao relógio por quê,
um poema é uma cidade em chamas,
um poema é uma cidade rendida por armas
suas barbearias cheias de bêbados cínicos,
um poema é uma cidade onde Deus anda pelado
pelas ruas como Lady Godiva,
onde cães latem à noite e perseguem a bandeira;
um poema é uma cidade de poetas,
quase todos um tanto semelhantes
e invejosos e amargos…
um poema é uma cidade agora,
50 milhas de lugar nenhum,
9:09 da manhã,
o gosto de bebida e de cigarros,
sem polícia, sem amantes, andando pelas ruas,
este poema, esta cidade, as portas fechadas,
barricadas, quase vazia,
desolada sem lágrimas, envelhecendo sem pena,
as montanhas rochosas,
o oceano como uma chama de lavanda,
uma lua destituída de grandeza,
uma pequena música que vem das janelas quebradas…
um poema é uma cidade, um poema é uma nação,
um poema é o mundo…
e agora eu espeto isso sob o vidro
para o exame detalhado do editor maluco,
e a noite está em outro lugar
e frágeis damas cinzentas estão na fila,
cão segue cão até o estuário,
as trombetas trazem a forca
enquanto pequenos homens se gabam de coisas
que não podem fazer.
Charles Bukowski
terça-feira, 13 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Nos camarotes do teatro
nos camarotes do teatro
está a plateia mais difícil
a quem as dores do palhaço são risíveis
e as dores do clown são impossíveis
nos camarotes do teatro
está a platéia mais difícil
a quem ninguém entende o sacrifício
de morrerem malabares e atrizes
está a plateia mais difícil
a quem as dores do palhaço são risíveis
e as dores do clown são impossíveis
nos camarotes do teatro
está a platéia mais difícil
a quem ninguém entende o sacrifício
de morrerem malabares e atrizes
domingo, 4 de agosto de 2013
As mulheres de Graciliano Ramos
Lançado pela Eduel (Editora da Universidade Estadual de Londrina), “Mulheres de Graciliano" é o segundo livro de autoria de Marcos Hidemi de Lima, um pesquisador da obra do autor alagoano. Neste trabalho, Lima investigou as atuações femininas nos romances S. Bernardo, Angústia e Vidas secas. Uma reflexão sobre como o gênero se movimentou dentro da obra literária, sobre sua posição na ordem patriarcal fortemente cultuada no século XX, precedendo os movimentos de libertação da mulher na década de 60 até os dias atuais.
O autor também pretende submeter sua pesquisa ao Festival Literário de Paraty (FLIP) deste ano, que homenageará Graciliano Ramos, que completa 120 anos de seu nascimento no dia 27 de Outubro. O festival se realizará entre os dias 3 e 7 de Julho.
Lima é também autor de um livro de poesias intitulado “Danças de palavras e sons", lançado em 2005 pela Atrito Art com recursos do Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Promic). Pesquisador do universo da “periferia social", ele espera publicar um apanhado de artigos produzidos ao longo de sua vida acadêmica num só volume, intitulado “Várias tessituras", analisando a obra de autores como Chico Buarque, Lima Barreto e Ignácio de Loyola Brandão. Além deste, Lima aguarda o lançamento de mais dois livros de poesia, “Eros & Piras" e “Poesiar". O primeiro já foi aprovado pelo Promic, somente esperando o recurso para publicação; o segundo está em processo de avaliação pela editora.
Marcos Hidemi de Lima é atualmente professor colaborador da Universidade Estadual Norte do Paraná (UENP), campus de Cornélio Procópio.
No áudio, entrevista gravada com Lima, falando sobre sua produção atual e seus planos de publicação para o futuro.
Para mais informações sobre o livro e como comprá-lo, acesse: http://www.uel.br/editora/portal/index.php?content=../catalogo/catalogo-online-detalhes.php&codProduto=785
O autor também pretende submeter sua pesquisa ao Festival Literário de Paraty (FLIP) deste ano, que homenageará Graciliano Ramos, que completa 120 anos de seu nascimento no dia 27 de Outubro. O festival se realizará entre os dias 3 e 7 de Julho.
Lima é também autor de um livro de poesias intitulado “Danças de palavras e sons", lançado em 2005 pela Atrito Art com recursos do Programa Municipal de Incentivo a Cultura (Promic). Pesquisador do universo da “periferia social", ele espera publicar um apanhado de artigos produzidos ao longo de sua vida acadêmica num só volume, intitulado “Várias tessituras", analisando a obra de autores como Chico Buarque, Lima Barreto e Ignácio de Loyola Brandão. Além deste, Lima aguarda o lançamento de mais dois livros de poesia, “Eros & Piras" e “Poesiar". O primeiro já foi aprovado pelo Promic, somente esperando o recurso para publicação; o segundo está em processo de avaliação pela editora.
Marcos Hidemi de Lima é atualmente professor colaborador da Universidade Estadual Norte do Paraná (UENP), campus de Cornélio Procópio.
No áudio, entrevista gravada com Lima, falando sobre sua produção atual e seus planos de publicação para o futuro.
Para mais informações sobre o livro e como comprá-lo, acesse: http://www.uel.br/editora/portal/index.php?content=../catalogo/catalogo-online-detalhes.php&codProduto=785
sábado, 3 de agosto de 2013
Teias de aranha
Teias de aranha
dizem algo sobre homens e mulheres
numa casa
Teias de aranha se acomodam nos cômodos
de uma casa que ficou velha
Uma casa de homens e mulheres
um dia
crianças
Teias são como casas de fantasmas,
guardadas sob a vigília de suas aranhas
Aranhas são seres que tudo observam
no limite microscópico de seus pequenos e muitos
olhos
Elas olham um mundo externo,
enquanto sobrevivem do infortúnio de moscas,
mariposas.
São vários os mundos entre
aranhas, mariposas, homens e mulheres
Até que um dia os olhos de todos os seres se entrecruzam
Aí residirá alguma coisa que não só os olhos de
um
sobre
outro
Será o dia
de um começo de dias
onde uns
e
outros
trocarão ou dividirão
um mesmo ângulo de visão
Onde os termos serão vento
a sacudir desígnios entre os seres
a movimentar funções
a rodopiar os moinhos
a saber, por fim,
o que exatamente significará infortúnio.
dizem algo sobre homens e mulheres
numa casa
Teias de aranha se acomodam nos cômodos
de uma casa que ficou velha
Uma casa de homens e mulheres
um dia
crianças
Teias são como casas de fantasmas,
guardadas sob a vigília de suas aranhas
Aranhas são seres que tudo observam
no limite microscópico de seus pequenos e muitos
olhos
Elas olham um mundo externo,
enquanto sobrevivem do infortúnio de moscas,
mariposas.
São vários os mundos entre
aranhas, mariposas, homens e mulheres
Até que um dia os olhos de todos os seres se entrecruzam
Aí residirá alguma coisa que não só os olhos de
um
sobre
outro
Será o dia
de um começo de dias
onde uns
e
outros
trocarão ou dividirão
um mesmo ângulo de visão
Onde os termos serão vento
a sacudir desígnios entre os seres
a movimentar funções
a rodopiar os moinhos
a saber, por fim,
o que exatamente significará infortúnio.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Pequeno contemplo
Tentei dizer algo
desse seu sorriso
De tão maduras
- as cores do lábio e dentes
Gostosos de enxergar
Floresce um fogo rígido
a procura da prova
E desce,
silenciosamente sereno,
no mel dos seus olhos castanhos.
desse seu sorriso
De tão maduras
- as cores do lábio e dentes
Gostosos de enxergar
Floresce um fogo rígido
a procura da prova
E desce,
silenciosamente sereno,
no mel dos seus olhos castanhos.
Elevento
quem precisa de moinhos
quando estamos todos concentrados
nos nossos infinitos fiéis escudeiros?
quando somos cavaleiros livres
aprendemos a derrotar reis
tão facilmente
quanto a viver sem sofrimento
(imagem: Dom Quixote on Horsebak, de Edward Hopper, 1902).
Coruja
Quando a coruja pousa
não há mal que se ouse
nem bem que se afaste
Quando a coruja pousa
o sorriso se estende
e a mente se apruma
Quando a coruja pousa
os cacos estão só na tevê
e os dentes a mostra
Quando a coruja pousa
o tempo é outro
num dia suspenso
até que a coruja voa
não há mal que se ouse
nem bem que se afaste
Quando a coruja pousa
o sorriso se estende
e a mente se apruma
Quando a coruja pousa
os cacos estão só na tevê
e os dentes a mostra
Quando a coruja pousa
o tempo é outro
num dia suspenso
até que a coruja voa
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