quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sorry, mundão


O trabalho ta dobrado
Salário continua minguado
Ônibus ta lotado (e mais caro)
R.U ta mais caro (e mais apertado)
Rango desce mal mastigado - para à aula, eu não chegar atrasado

Desculpa, chefia, se o trampo sair malacabado
Perdão, docência, se o TCC sair cansado
Sorry, mundão, se eu escolher viver embriagado.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Licença

Um pouco sem jeito, meio envergonhado
Este poema é um pedido... desengavetado
Peço licença, ao entrar em seus olhos
Peço um copo de bom senso, sem chance ao desdém
Uma chance a mim mesmo
De não importunar ninguém

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Bem-te-vi

Trabalho, trabalho, trabalho
Cérebro, comércio,
Braços, domésticos

Poeira, fumaça
Boletos, louça suja

O que salvou o dia
Foi um bem-te-vi que eu vi na rua.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mr. Wolf on the top



One summer day, she went away;
Gone and left me, she's gone to stay.
She's gone, but I don't worry:
I'm sitting on top of the world.

All the summer, worked all this fall.
Had to take Christmas in my overalls.
She's gone, but I don't worry:
I'm sitting on top of the world.

Going down to the freight yard, gonna catch me a freight train.
Going to leave this town; worked and got to home.
She's gone, but I don't worry:
I'm sitting on top of the world.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Do Tibagi e algo mais


Porque nós estamos aqui a passeio. E como todo bom passeio, temos que estar com boas companhias, valorizar cada pessoa que, por um sortilégio ou outro, felizmente descarrilou nas nossas estradas. É por essas pessoas que não abrem mão de estar conosco, em todos os momentos, que temos o raro prazer de dividir cada suspiro de nossas vidas. É com essas pessoas, que mesmo após uma longa jornada, sempre haverá um olhar altivo ao horizonte, ansiando mais uma trip, uma lufada nova de luz, um rolê-por-vir. É com essas pessoas que nós pegamos a estrada, depois de uma noite de rock and roll e rumamos ao além, para mergulhar sem medo no rio Tibagi. Para abraçar a árvore que nos salva dos seres humanos, para colher as ameixas maduras dos galhos receptivos. Para mergulhar sem receio na teia complexa e infinita da vida. Não tenho medo de amar os meus amigos. Não tenho medo de ser.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pacto fechado


O blues invadiu o meu corpo, rastejou invisível sob minhas vísceras, alcançou os pés, as mãos e o último fio de cabelo, me subiu aos céus e ganhou o inferno inteiro, lavou minhas retinas e assombrou meus ouvidos, quebrantou minhas fibras e entrelaçou meus dedos, mordeu minha ferida e cuspiu na minha cara, o blues veio e não saiu, aqui está, arriscando a minha vida, empurrando conhaque velho goela abaixo, como um slide deslizando gostoso um clichê do Mississipi nas minhas cordas ensanguentadas. Não consigo dizer adeus ao blues, tal como um abutre não se afasta da carniça jamais. Eu não sou limpo, isso aqui não foi pra agradar ninguém. Foi só pra não esquecer que esse é o jeito. É disso que eu lhes falava há pouco, meus amigos. E quando eu finalmente enterrar meu corpo nalgum canto esquecido dessa cidade, serei eu a uivar solitariamente nas encruzilhadas erradas destes cantos - o acordo já foi feito por lá, pacto fechado. Fiquem com Nietzsche. Auf wiedersehen.