sábado, 10 de novembro de 2018

Luz solar

Raisa
lê-se Rái-za
muito se confunde
com Raíssa.
Nome russo,
de muita estrada
de chão, asfalto
e ar
Raisa.
lê-se Raio sublime,
face clara da lua
iluminada pelo
Sol.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Minha mãe anarcopunk

tenho uma mãe anarco punk
ela vem dos índios paraná
e das sendas da itália
tenho uma mãe anarco punk
vem das tribos de longe
perto pra ficar aqui
tenho mãe anarco punk
raio frio em dia áspero
minha mãe anarco
vem de longe
pra levar a treva nos planetas remotos
minha mae
suave como um tigre
descansa quando a hiena dorme

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Quando os lobos começam a ouviar

É preciso descer as estepes
Encontrar na planície onde os lobos estão
E então, uivar em uníssono.
Trazer da Bolívia o que precisam os seres das cachoeiras daqui.
Cantar contra o medo
Trovejar nossos violões
Soprar a flauta andina e trazer de volta a nossa tempestade.
Segurar nosso dedo
E encher os pulmões ao jorrar luz pelos olhos
É tempo de comungar o chão
Fertilizar nossos sonhos.

Balanço

Houve o tempo em que
Papá e mamái
-- No hay
Deixo o hoje chegar
Sigo leve, apesar o peso.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

segunda-feira, 23 de julho de 2018

terça-feira, 17 de julho de 2018

4 da manhã Brásblues

Parabéns pra vc' de Aydar Playboy
toca alto no homem do som
esquina da monsenhor de andrade
com rua sao caetano
Brás
o baião sai quente desde as 4 da manhã
shopping apa
bolívia
paraguai
china
o carreteiro de Nigéria
Cristofer.
Jaílson e Jefferson carreteiros
filhos de Tiririca do baião nordeste
passa as bancas
as pessoas
os lixos
produtos
lojas lenços
manequins
atravessa a rua
gente
muita gente
Brasil
cerra a testa
aperto os olhos
objetivo
senta,
o café.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

É noite aqui

meias se bezuntam
na poeira do ar
paredes amarelas
exaustas de ouvir

mariposas que pousam
em seu leito de morte

vela que acende
no princípio da sorte

quinta-feira, 8 de março de 2018

Infernal

No tempo de Jesus, a tortura seguida de morte era exposta ao público. Mães, familiares, concidadãos, o povo de todas as classes acompanhavam o evento fúnebre.
No tempo da ditadura contemporãnea, a tortura seguida de morte é velada em seus porões. Neste caso não são mães que verão seus filhos torturados e mortos, serão os filhos das mães, torturadas e mortas, filhos e filhas crianças, a ver o resultado agonizante de sua mãe. Num quarto escuro, preenchido pelo mais úmido e podre cheiro de sangue, pelo som aterrador da alma onde ecoa o choro infernal.