sábado, 22 de agosto de 2009

Miragem


Se essa vida é uma miragem
Tudo se esvairá sem explicação
Nessa vida há paisagens
Onde nossos passos, nossos traços ficarão

Você se foi no céu aberto
Onde meus voos não alcançarão
Você deixou um deserto
Cultivando cactos, secando lagos em meu coração

E se por acaso achar
Um oásis pro seu coração
Espero que não afogues lá
A esperança numa nova solidão

E se essa vida é uma miragem
Quero descanso para minha visão

Yuri M.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Meu blues.

São algumas poucas horas do dia. Algumas boas da madrugada. E começo a construção, como sempre, daquilo que já está bem longe do começo, aquela casa enorme na minha cabeça. Paredes, janelas, quartos, salas... todos os cômodos, imensos e imensos cômodos, vastos jardins e quintais num bairro chamado Solidão. Onde há milhões de vizinhos, milhões de corpos andantes, estranhos ambulates, compondo o cenário.
Ao se distraír pelos portões dessa residência inodora, verá que não há vestígios de flores, tampouco beija-flores nos jardins. Não há cor nas portas e janelas ali instaladas. Não há mobília, nem qualquer objeto nas salas e quartos. Não há paz. Não há amor. Não há sonhos, nem projetos.
Nas ruas, passam seres em carnavais, levando sentimentos temporais, pra lugar algum...
Nos céus sobrevoam algumas andorinhas, de um verão esboçando um certo sorriso amarelo que está por vir. Talvez seja pra este verão que essa casa chora, grita por alguns momentos e logo se cala num silêncio tão absurdamente sofrido.
Talvez eu termine esta construção, e finalmente me levante desse chão sujo de vazio, me livre desses tristes blues, desse insípido conhaque, e caminhe para ver um sol amigo.


domingo, 16 de agosto de 2009

É o cara. É o Chico!

A minha tristeza não é feita de angústias
A minha tristeza não é feita de angústias

A minha surpresa
A minha surpresa é só feita de fatos
De sangue nos olhos e lama nos sapatos

Minha fortaleza
Minha fortaleza é de um silêncio infame
Bastando a si mesma, retendo o derrame
A minha represa.

- Minha certeza, minha certeza é de que sou muito grato aos seus ensinos.

* Chico Buarque - Fortaleza


sábado, 8 de agosto de 2009

O lobo


Correu demais, voltou atrás, caçou voraz
Nenhum sustento, nada fixo
Sentiu fome, frio e medo,
Porém nenhum segredo
Foste capaz de esconder

Incansável coração pulsante
Corre! Cão errante
Nada deve, a ti atormentar
Nada pode, a ti confrontar

O frio chegou e a cidade cede
No plenilúnio cai a branca neve
Talvez, lobo, ouça o choro
De outro uivo até então desconhecido.


Yuri M.



quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vai, Lenine!

Se você quer me seguir, Não é seguro
Você não quer me trancar, num quarto escuro
Às vezes parece até, Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só

Você não vai me acertar, À queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só
Não demora eu tô de volta...

Vai ver se eu tô lá na esquina, devo estar...
Já deu minha hora e eu não posso ficar...
A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua...
A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua

Hoje eu quero sair só.


- E quem não quer? Uma vez que se tem a liberdade de contemplar estas Luas que vêm saindo à noite. Vez meia, vez inteira, sempre cheia de si, cheia e nua.

* O nome da canção segue no quarto e último verso!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

Miragem


Se essa vida é uma miragem
Tudo se esvairá sem explicação.
Nessa vida há paisagens
Onde nossos passos, nossos traços ficarão.

Você se foi no céu aberto
Onde meus voos não alcançarão.
Você deixou um deserto
Cultivando cactos, secando lagos em meu coração.

E se por acaso achar
Um oásis pro seu coração,
Espero que não afogues lá
A esperança numa nova solidão.

E se essa vida é miragem,
Quero descanso para minha visão.

Yuri Martinez