terça-feira, 18 de agosto de 2009

Meu blues.

São algumas poucas horas do dia. Algumas boas da madrugada. E começo a construção, como sempre, daquilo que já está bem longe do começo, aquela casa enorme na minha cabeça. Paredes, janelas, quartos, salas... todos os cômodos, imensos e imensos cômodos, vastos jardins e quintais num bairro chamado Solidão. Onde há milhões de vizinhos, milhões de corpos andantes, estranhos ambulates, compondo o cenário.
Ao se distraír pelos portões dessa residência inodora, verá que não há vestígios de flores, tampouco beija-flores nos jardins. Não há cor nas portas e janelas ali instaladas. Não há mobília, nem qualquer objeto nas salas e quartos. Não há paz. Não há amor. Não há sonhos, nem projetos.
Nas ruas, passam seres em carnavais, levando sentimentos temporais, pra lugar algum...
Nos céus sobrevoam algumas andorinhas, de um verão esboçando um certo sorriso amarelo que está por vir. Talvez seja pra este verão que essa casa chora, grita por alguns momentos e logo se cala num silêncio tão absurdamente sofrido.
Talvez eu termine esta construção, e finalmente me levante desse chão sujo de vazio, me livre desses tristes blues, desse insípido conhaque, e caminhe para ver um sol amigo.


Um comentário:

  1. Coloque móveis na casa, preencha o vazio. Flores para colorir a sala, mas deixe que o silêncio continue lá, para te ajudar.

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