domingo, 22 de novembro de 2009

Quando Éramos Pedras




Quando éramos pedras
A espera de uma nova paisagem
O mundo não era verdade
E o sentimento, razão.

Se você não sabe o que é certo
Diga-me o que não é pecado
Eu sei que o tempo é culpado
Por tanta preocupação

Honestamente eu prefiro
A guerra, ao comodismo
Quando estamos mais que vivos
Ainda que na contramão

Venha que é tarde
Por esses dias o calor não é interessante
E aquele sentimento de antes
Talvez não seja vulgar

Venha que eu quero
Fazer daquilo o melhor que pudermos
Seremos anjos tão belos
Quanto ao nosso futuro


* Imagem: Sta. Cecília e o Anjo - Carlo Saraceni

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O coração de Cartola



Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés



- Eu venho buscando o equilíbrio entre a razão e a emoção, e quando a primeira vence, geralmente perco muito sangue à um longo prazo. E durante um curto tempo, finjo estar de bem comigo e aos poucos vejo-me morto por dentro. Devo deixar que a emoção prevaleça em alguns momentos. Ela ensina, com categoria, o que temos que fazer, e assim, sentir com todos os sentidos humanos, o quão podemos estar certos e de bem conosco, no fim da história.

* O Mundo É Um Moinho - Cartola

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eu sou clichê e também quero minha felicidade!

Hoje vai o meu primeiro vídeo aqui. E sem mais gracinhas, faço de minhas eventuais palavras,
as deste grande homem, que assim como eu, também quer ser feliz!



- Edvaldo é um filho do subúrbio paulista, apaixonado por blues e música brasileira. Ano passado tive a honra de ir à um show dele de graça na concha acústica de Londrina e desde então estou encantado.

* Edvaldo Santana - Quem é que não quer ser feliz

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Legionário confesso!

Quase morri
Há menos de vinte e duas horas atrás
Hoje a gente fica na varanda
Um dia perfeito, com as crianças.

São as pequenas coisas que valem mais
É tão bom estarmos juntos
E tão simples : um dia perfeito.

Corre, corre, corre
Que vai chover
Olha a chuva!

Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito
Ninguém vai conseguir quebrar


- Parece tudo distante, tudo tão complexo e desengonçado. Tanto sofrimento, tanto receio e preocupação. Mas é tudo simples, basta que olhemos à nossa frente, para então concluírmos que também é real.

* Legião Urbana - Um Dia Perfeito

*Imagem: Renoir - Dance at Bouvigal

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Abordagem!

O quê?! falou comigo?!
Ah, é de amor que queres prosear?!

Pois dele não sei muito bem, sei que parece...

Quando no verão, um rock bem solto, punk conformado (ora até sorridente),
cheio de gracinhas, palhetas e danças. Faz calor e vale à pena suar.

Quando no outono, tende a ser técnico. O jazz aparece na cena, cheio de parafernálias
engomadinhas e metálicas. O último cair da folha sugere um trabalho árduo para que se recomecem os trabalhos de reposição floral.

Chega então o impenetrável inverno, trazendo todas as melancolias do blues. Um canto rouco, produto do frio engolido à seco, pede um por um copo de conhaque na esperança de que o aqueça a garganta.

A primavera, senhora dos consolos, espalha suas asas sobre nós, filhotes prematuros do bom e velho rock and roll. mostra-nos as sábias melodias do folk, ensinando-nos alguns acordes básicos. Uma preparação para mais um verão de ilusões e um ano repleto de revoluções músico-temporais.

Desculpe, meu caro, se não me compreendes. É que os jardins já florescem, e preciso andar a aprender mais desses sons que estão a produzir as flores.


*Imagem: Renoir - Les roses et jasmin dans le vase de Delft.

domingo, 20 de setembro de 2009

Wanna take you


Quero te levar para o cinema,

conhecer os sons e as imagens.

Quero te levar para o teatro,

conhecer os tons e as viagens.

Quero te levar para o boteco,

conhecer os bons e as maldades.

Quero te levar para o meu cuidado,

conhecer discos e bobagens.


* Imagem: Renoir - Le Promenade

sábado, 12 de setembro de 2009

Vamos escandalizar
Vamos punkalizar
Vamos esquecer
Vamos amadurecer
Vamos ser!

Teremos de ser,
Teremos que crer
Teremos que haver
Teremos que transcender
Teremos que aparecer!

É preciso invadir
É preciso discernir
É preciso vir
É preciso sentir
É preciso convir, consentir!

É necessário...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Alguém abduza Arnaldo!

Peço por favor
Se alguém de longe me escutar

Que venha aqui pra me buscar

Me leve para passear

No seu disco voador

Como um enorme carrossel
Atravessando o azul do céu

Até pousar no meu quintal

Se o pensamento duvidar
Tod
os meus poros vão dizer
Estou pronto para embarcar

Sem me preocupar e sem temer


Vem me levar

Para um lugar

Longe daqui
Livre para navegar

No espaço sideral

Porque sei que sou
Semelhante de você
Diferente de você

Passageiro de você
À espera de você

No seu balão de são joão

Que caia bem na minha mão

Ou numa pipa de papel

Me leve para além do céu


Se o coração disparar

Quando eu levantar os pés do chão

A imensidão vai me abraçar

E acalmar a minha pulsação

Longe de mim

Solto no ar

Dentro do amor

Livre para navegar
Indo para onde for

O seu disco voador



- De qualquer planeta, galáxia ou dimensão... qualquer raça, credo ou ligação...
qualquer motivo, sentido ou razão... venha logo, abdução!

* Música do nosso ET: Arnaldo Antunes, Contato Imediato.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Na melodia do Luiz.

Sei que é doloroso um palhaço
Se afastar do palco por alguém

Volta, a platéia te reclama

Sei que choras, palhaço

Por alguém que não te ama


Enxugas as lágrimas

E me dê um abraço

E não te esqueças
Que és um palhaço
Faça a platéia gargalhar
Um palhaço não deve chorar
.


- Sou palhaço do destino. Outrora te fui palhaço, outra vez o fui denovo...
Obrigado, traiçoeiro, brilhante e apaixonante picadeiro chamado vida.

* Luiz Melodia - Palhaço.

sábado, 22 de agosto de 2009

Miragem


Se essa vida é uma miragem
Tudo se esvairá sem explicação
Nessa vida há paisagens
Onde nossos passos, nossos traços ficarão

Você se foi no céu aberto
Onde meus voos não alcançarão
Você deixou um deserto
Cultivando cactos, secando lagos em meu coração

E se por acaso achar
Um oásis pro seu coração
Espero que não afogues lá
A esperança numa nova solidão

E se essa vida é uma miragem
Quero descanso para minha visão

Yuri M.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Meu blues.

São algumas poucas horas do dia. Algumas boas da madrugada. E começo a construção, como sempre, daquilo que já está bem longe do começo, aquela casa enorme na minha cabeça. Paredes, janelas, quartos, salas... todos os cômodos, imensos e imensos cômodos, vastos jardins e quintais num bairro chamado Solidão. Onde há milhões de vizinhos, milhões de corpos andantes, estranhos ambulates, compondo o cenário.
Ao se distraír pelos portões dessa residência inodora, verá que não há vestígios de flores, tampouco beija-flores nos jardins. Não há cor nas portas e janelas ali instaladas. Não há mobília, nem qualquer objeto nas salas e quartos. Não há paz. Não há amor. Não há sonhos, nem projetos.
Nas ruas, passam seres em carnavais, levando sentimentos temporais, pra lugar algum...
Nos céus sobrevoam algumas andorinhas, de um verão esboçando um certo sorriso amarelo que está por vir. Talvez seja pra este verão que essa casa chora, grita por alguns momentos e logo se cala num silêncio tão absurdamente sofrido.
Talvez eu termine esta construção, e finalmente me levante desse chão sujo de vazio, me livre desses tristes blues, desse insípido conhaque, e caminhe para ver um sol amigo.


domingo, 16 de agosto de 2009

É o cara. É o Chico!

A minha tristeza não é feita de angústias
A minha tristeza não é feita de angústias

A minha surpresa
A minha surpresa é só feita de fatos
De sangue nos olhos e lama nos sapatos

Minha fortaleza
Minha fortaleza é de um silêncio infame
Bastando a si mesma, retendo o derrame
A minha represa.

- Minha certeza, minha certeza é de que sou muito grato aos seus ensinos.

* Chico Buarque - Fortaleza


sábado, 8 de agosto de 2009

O lobo


Correu demais, voltou atrás, caçou voraz
Nenhum sustento, nada fixo
Sentiu fome, frio e medo,
Porém nenhum segredo
Foste capaz de esconder

Incansável coração pulsante
Corre! Cão errante
Nada deve, a ti atormentar
Nada pode, a ti confrontar

O frio chegou e a cidade cede
No plenilúnio cai a branca neve
Talvez, lobo, ouça o choro
De outro uivo até então desconhecido.


Yuri M.



quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vai, Lenine!

Se você quer me seguir, Não é seguro
Você não quer me trancar, num quarto escuro
Às vezes parece até, Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só

Você não vai me acertar, À queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir, me beija a boca
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só
Não demora eu tô de volta...

Vai ver se eu tô lá na esquina, devo estar...
Já deu minha hora e eu não posso ficar...
A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua...
A lua me chama, Eu tenho que ir pra rua

Hoje eu quero sair só.


- E quem não quer? Uma vez que se tem a liberdade de contemplar estas Luas que vêm saindo à noite. Vez meia, vez inteira, sempre cheia de si, cheia e nua.

* O nome da canção segue no quarto e último verso!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

Miragem


Se essa vida é uma miragem
Tudo se esvairá sem explicação.
Nessa vida há paisagens
Onde nossos passos, nossos traços ficarão.

Você se foi no céu aberto
Onde meus voos não alcançarão.
Você deixou um deserto
Cultivando cactos, secando lagos em meu coração.

E se por acaso achar
Um oásis pro seu coração,
Espero que não afogues lá
A esperança numa nova solidão.

E se essa vida é miragem,
Quero descanso para minha visão.

Yuri Martinez

domingo, 26 de julho de 2009

Sinto falta daquilo que me foi imposto pelo destino,
Sinto pena da minha vida, sem que nada fosse previsto.

E não morro de desgosto por pensar em nada,
Morro de ciência da procedência dessas águas.

Quando fujo do caminho onde voam seres sem destino,
Denovo toca denso aqueles sons nos meus sentidos.

Os mesmos sons, os mesmos sinos, badalam sem piedade,
Ressurge então a mágoa, a tristeza da verdade.

Recai os cantos e voos hirundinos,
Nesta primaveril tarde de dores e pensamentos contínuos.

Yuri Martinez

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Iniciativa


Venho então humildemente, dar os meus olás e os meus
sejam bem-vindos, como de costume.

Tenho uma intenção, com uma pretensão: sua atenção.
Vejo este pequeno espaço, como algo democrático de expôr suas
intimidades culturais, seja de qual for a arte.
Mas com um foco na temática musical, partindo
de todos os gêneros, visando uma peça em comum diante
dessa vasta arte: a poesia.

Depois de pensar muito no que dizer como um início,
talvez tenha saído com clareza e educação o que venho aqui fazer.

E será um prazer ter a sua leitura e os seus ouvidos!