pernas que sabem correr
mãos que sabem fumar
boca que sabe tragar
amor que sabe esperar
mente que sabe perdoar
coração que ainda bate
bate
bate
bate
até um dia parar
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Vento em curva
Ouço blues e fico grógue
dia cheio de vida e morte
como tudo se sai
a ver pelo espelho uma figura viva
saio tateando o nada
com uma folha enroscada nos dentes
um Johnny Cash insiste em tocar na caixa
i hate the years that don't belong to me
riffs sôfregos e cambaleantes
cerveja sem álcool tem gosto doce pra quem toma remédio
não é fácil sair do tédio
na frente do seu prédio eu visito antigas memórias
desço pra rua e desvio de flechas sentindo seu odor
revoltoso vento fecha o dia
ainda dá tempo de pegar cigarros no posto
já fazem meses mas o vento parece o mesmo de Agosto.
dia cheio de vida e morte
como tudo se sai
a ver pelo espelho uma figura viva
saio tateando o nada
com uma folha enroscada nos dentes
um Johnny Cash insiste em tocar na caixa
i hate the years that don't belong to me
riffs sôfregos e cambaleantes
cerveja sem álcool tem gosto doce pra quem toma remédio
não é fácil sair do tédio
na frente do seu prédio eu visito antigas memórias
desço pra rua e desvio de flechas sentindo seu odor
revoltoso vento fecha o dia
ainda dá tempo de pegar cigarros no posto
já fazem meses mas o vento parece o mesmo de Agosto.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Coisa boba
Lótus flor de lua
quando minha boca na tua
Jasmim, cravo, canela
quando minha saudade revela
Pétala, caule, folha
poesia ou coisa boba
balbucio mel
quando viajo parado
em teu céu
quando minha boca na tua
Jasmim, cravo, canela
quando minha saudade revela
Pétala, caule, folha
poesia ou coisa boba
balbucio mel
quando viajo parado
em teu céu
terça-feira, 15 de novembro de 2016
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Tempo
The Kiss - Gustav Klimt (1862–1918)
teu beijo tem gosto de avelã
menina com o doce
nome russo
vermelho de paixão
manteiga amada
como o mel
ferroado de ardor
derrete em meus braços
margarida flor de maio
contemplo meu azul
na cor de nossos dias
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Mr. Howlin' Wolf
https://youtu.be/9Ri7TcukAJ8
vídeo da seguinte playlist:
https://youtu.be/duRp_avXtMM?list=RDQPeP3M-NqFo
Conversa de vagão
Você tem coragem de dizer quem realmente ama?
- Por que?
A dúvida é minha amiga.
Confiança é pecado?
- Diga-me o que não é errado.
Dizia uma canção de outrora.
Ora jovem, ora velha
ora, quem pudera.
Ser feliz em braços alvos.
- Por que?
A dúvida é minha amiga.
Confiança é pecado?
- Diga-me o que não é errado.
Dizia uma canção de outrora.
Ora jovem, ora velha
ora, quem pudera.
Ser feliz em braços alvos.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Cheiro seu
atordoa
mente
atordoamente
lá embaixo tinha seu cheiro
volta com tudo
todo o riso futuro
ator
doado
atordoadamente
amado
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Sinônimo
O amor não tem forma nem formato
Você sabe do que ele é feito?
Saudade é palavra portuguesa
Portugal tem igreja
O jeito é ser bicho do mato
num mundo de beleza
Você sabe do que ele é feito?
Saudade é palavra portuguesa
Portugal tem igreja
O jeito é ser bicho do mato
num mundo de beleza
Ôlho
um misto de todas as gerações chega com o retorno de Saturno
furacão que consome os dias
entorpece as vísceras
óleo na água da retina
sombra no claro do incerto
razão demais depois do coração ressecado
disseco os segundos
com uma navalha oxidada
de palavras
cego
tudo enxergo
você na outra linha
amiga
mina
mina
Ôlho
um misto de todas as gerações chega com o retorno de Saturno
furacão que consome os dias
entorpece as vísceras
óleo na água da retina
sombra no claro do incerto
razão demais depois do coração ressecado
disseco os segundos
com uma navalha oxidada
de palavras
cego
tudo enxergo
você na outra linha
amiga
mina
mina
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Raisa
menina do tempo
dos olhos de água
congela minhas dores
destruindo uma a uma
com paradoxal calor
faz nascer em mim
algo outrora morno
pálido e inerte
revigorando a raiz
de quem sou
de quem sempre fui
eternamente
dos olhos de água
congela minhas dores
destruindo uma a uma
com paradoxal calor
faz nascer em mim
algo outrora morno
pálido e inerte
revigorando a raiz
de quem sou
de quem sempre fui
eternamente
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Luto
a gente morre a cada dia
e nao percebe o cheiro podre
que exala nossa vida
a gente se ama em chama intensa
mas não se tem direito a estarmos juntos
corremos atrás de sonhos que nos vendem
pra portar medalhas que nos inventam
damos duro atrás dessas merdas todas
pra sermos humilhados no corredor estreito e fétido do sucesso
enriquecemos bilionários com o nosso suor
e temos veneno como salário
limitam nossa angústia
represam nossa fúria
na sutil corrente que nos prende à matéria estável
aspiramos estabilidade
triturando liberdade
fumando os segundos de um cigarro vil
abandonamos nossa infância
pra entrar na selva
ser ou não ser, irmão
eis a porra da questão
morrer de fome
ou morrer de tédio
pra vida doente só existe remédio
e a cura morre antes do sol nascer
a gente passa a lutar
pra ter direito ao surto
e nao percebe o cheiro podre
que exala nossa vida
a gente se ama em chama intensa
mas não se tem direito a estarmos juntos
corremos atrás de sonhos que nos vendem
pra portar medalhas que nos inventam
damos duro atrás dessas merdas todas
pra sermos humilhados no corredor estreito e fétido do sucesso
enriquecemos bilionários com o nosso suor
e temos veneno como salário
limitam nossa angústia
represam nossa fúria
na sutil corrente que nos prende à matéria estável
aspiramos estabilidade
triturando liberdade
fumando os segundos de um cigarro vil
abandonamos nossa infância
pra entrar na selva
ser ou não ser, irmão
eis a porra da questão
morrer de fome
ou morrer de tédio
pra vida doente só existe remédio
e a cura morre antes do sol nascer
a gente passa a lutar
pra ter direito ao surto
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Sinalização
A gente trabalha demais
e nunca tem dinheiro
a gente lê jornal
e só se vê no espelho
a gente luta e sangra
e morre
numa rotatória central
onde semáforos fechados
atrapalham o tráfego
com suas luzes vermelhas
e um corpo vazio
estirado no canteiro
não impede que a dança
da ganância
dobre a esquina
sem dar seta.
e nunca tem dinheiro
a gente lê jornal
e só se vê no espelho
a gente luta e sangra
e morre
numa rotatória central
onde semáforos fechados
atrapalham o tráfego
com suas luzes vermelhas
e um corpo vazio
estirado no canteiro
não impede que a dança
da ganância
dobre a esquina
sem dar seta.
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