a gente morre a cada dia
e nao percebe o cheiro podre
que exala nossa vida
a gente se ama em chama intensa
mas não se tem direito a estarmos juntos
corremos atrás de sonhos que nos vendem
pra portar medalhas que nos inventam
damos duro atrás dessas merdas todas
pra sermos humilhados no corredor estreito e fétido do sucesso
enriquecemos bilionários com o nosso suor
e temos veneno como salário
limitam nossa angústia
represam nossa fúria
na sutil corrente que nos prende à matéria estável
aspiramos estabilidade
triturando liberdade
fumando os segundos de um cigarro vil
abandonamos nossa infância
pra entrar na selva
ser ou não ser, irmão
eis a porra da questão
morrer de fome
ou morrer de tédio
pra vida doente só existe remédio
e a cura morre antes do sol nascer
a gente passa a lutar
pra ter direito ao surto
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