quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Metal contra as sombras

https://www.youtube.com/watch?v=cG8YCWr9GGo

eu sento
boto um Dio
abro uma lata
me iludo no sofá
investigando estrelas
um tênis se desmancha
nos sonhos calorentos de ressaca
acordo
eu sento
boto um dia
engulo a cápsula
me iludo no sofá
investigando bitucas
um pênis se levanta
na punheta modorrenta diária
lamento
eu sento
saco a pira
beque na mira
investigando problemas
um banho que garanta
o impulso necessário pra lida
afogo
pertenço
canto lira
espirro fumaça
acendo os faróis de neblina
abro as janelas
investigando Curitiba
um peito sorteado de esperança
nos olhos marejados da menina

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Poema ao pôr do sol

o sol agoniza suas últimas luzes
enquanto o breu se aproxima
nada muda até que o dia termina
no varal as cuecas
no vazio a rotina
busão da madrugada me busca do além
me traz de volta pra casa
sento no colo do espaço
desamarro os cadarços
dou um trago
viajo
até que a noite termina
com o sol no encalço


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

"Tétrico", diria Neusa

eu espero a morte
como um menino toca a bola
na rua

eu espero a morte
como uma banda
sem sorte

eu espero a morte
feito bicho solto
no breu

eu anseio o fim
qual um mendigo
do sim

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Deixa ir

let it go
canta george harrison
numa tarde de inverno
o futuro chega perto
encosta o nariz em mim
let it go
and I
let it go

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sozinho

eu quero ficar sozinho
com o nada
na penumbra da galáxia

eu quero virar pó
no conservatório dos nós
silêncio absoluto
no dilúvio do zero

sozinho
como no início
o pingo
o sacrifício
onde o mundo
é um istmo

Eu quero sair por aí

Ouçahttps://soundcloud.com/yuri_mcbrain/eu-quero-sair-por-ai

Eu quero sair por aí
Pra depois cantar o que vi
Eu quero sair por aí
Pra depois cantar o que vi

Eu quero sair do trabalho
e sentar no bar do baiano
eu quero beber sem pecado
uma garrafa em copo americano

eu bebo e fujo dos carros
querendo cheirar sua gasolina
um brinde aos bêbados e palhaços
que riem cegos na neblina
eu ando à noite no asfalto
e ouço James Cotton me dizer
que estou negociando com o diabo
sem saber o dia de morrer
eu sou um bicho do mato
na jaula dos dias da semana
menina, eu sou um escravo
da selvageria que o meu coração demanda

Eu quero sair por aí
Pra depois cantar o que vi
Eu quero sair por aí
Pra depois cantar o que vi

Quando a chuva parar

quando a chuva parar
não vai rolar sentimento
só vai ter dor
e algum sofrimento
quando a chuva parar
não terá paixão
nada sob o vento
quando a chuva parar
eu quero estar deitado
longe do tormento
quando a chuva parar
não vai tocar muddy waters
no bar de dentro

3

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Psicótico blues

eu queria morar num solo de blues
hastear minha bandeira
roubar da cerejeira
ser um solo de blues
dirigir-me ao solo
feito um cão sem dono
mergulhado de sóis
ardendo em blues
azul
como o mar demonstra
ir fundo na carne
serpente do mato
o trago do cigarro
a luz da noite
o frio torpe
a decepção
um surto
psicótico

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Estopim

cansado de tudo
vi em mim dilúvio
como notas de wayne shorter
a ecoar a ecoar
de nada feito tudo pronto
tudo vestígio do que antes ser vulgar
hoje inerte sobre um precipício
sinto os dias fora do hospício
outrora a mente a surtar
o passado ainda é torpe
minha visão agora turva
será que hoje algo muda?
muda, minha boca seca
como um lago noutra época
as palavras são escritas
sem o vigor de um dia vivas
medo de pular de onde estou
continuo emberbe na masmorra dos segundos
o calor que consome meus rins
o trago que dilacera meus pulmões
isso tudo e tudo isso
abismado no edifício silencioso da situação
sou disco rígido de uma peça em construção
palavra fria no quente que corrói
tateio as rugas da minha face sebosa
26 anos de uma vida em estopim