quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Estopim

cansado de tudo
vi em mim dilúvio
como notas de wayne shorter
a ecoar a ecoar
de nada feito tudo pronto
tudo vestígio do que antes ser vulgar
hoje inerte sobre um precipício
sinto os dias fora do hospício
outrora a mente a surtar
o passado ainda é torpe
minha visão agora turva
será que hoje algo muda?
muda, minha boca seca
como um lago noutra época
as palavras são escritas
sem o vigor de um dia vivas
medo de pular de onde estou
continuo emberbe na masmorra dos segundos
o calor que consome meus rins
o trago que dilacera meus pulmões
isso tudo e tudo isso
abismado no edifício silencioso da situação
sou disco rígido de uma peça em construção
palavra fria no quente que corrói
tateio as rugas da minha face sebosa
26 anos de uma vida em estopim

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Apareça!