sábado, 18 de agosto de 2012

Bad luck blues

Quando eu tocar o meu blues
Ninguém vai estar por perto
Porque a vida é um engano
E nenhuma alma acredita

Mais uma noite se cai
Esse blues ninguém vai escutar
Não convém ser sincero
A quem busca ilusão

O mundo não é uma ideia
Embaralho esta letra pra não repetir
O verso que fiz
Da real epopeia

Ninguém vai sentir piedade
Quando deixar de ser penar
Esse falso perdão
Enrustido de dó

Quando tudo acabar
Não há ninguém que note
Mais um blues que se toca, uma nota, um acorde
O papel se acaba como a coragem da sorte

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Um pé de ameixa na Avenida Serra da Esperança


Domingo, 12 de Agosto de 2012. Um dia dos pais em que eu pude voltar à vida para abraçar o meu. Eu poderia ter ido embora, seguindo o protocolo e o destino de quem foi inconseqüente, mas eu precisava voltar. Não era a hora. A Avenida Serra da Esperança fez jus ao seu nome, e um pé de ameixa me abraçou, antes que eu machucasse alguém ou fosse parar em outro obstáculo, como um poste, potencialmente mais resistente e fatal. A Esperança, o pé de Ameixa e a paróquia que fica na mesma avenida, foram meus primeiros para-médicos, que me fizeram adormecer e não sentir a dor do impacto.

Na Santa Casa de Londrina, mesmo com todas as deficiências de um hospital público, pude descansar e receber o amparo de toda a equipe médica, que corria a atender dezenas de pessoas durante toda a manhã. O maior alívio foi ter visto meu pai e minha mãe juntos, assim como meu amigo que esteve comigo durante toda a noite e que finalmente me encontrou depois de tanta procura, quando soube do acidente.

Olho e pernas inchadas, peito marcado pelo cinto de segurança, que foi imprescindível para minha sobrevivência. Um saldo positivo, resultado confortante de uma equação que dificilmente se resolveria em vida, sobretudo visto o carro que se desfigurou terrivelmente.

Eu sei que estou de volta porque não fiz quase nada do meu propósito aqui. Há muito por cumprir. Agradeço por essa chance e por esse aviso, de que eu devo valorizar a minha vida, e retribuir tudo que recebo das pessoas que me amam. Essa noite o blues tocou mais chorado, mas como todo primeiro acorde que ecoa, há sempre de se esperar pelo estribilho esperançoso de todas as canções que estão por vir. Que a peça seja longa, calorosa e bela.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sob sã consciência

Há infinitas e misteriosas maneiras de ser feliz
Mas uma coisa há de ser elucidada:
Reprimir seus desejos
Sob sã consciência
Não é uma delas