Domingo, 12 de Agosto de 2012. Um dia dos pais em que eu
pude voltar à vida para abraçar o meu. Eu poderia ter ido embora, seguindo o
protocolo e o destino de quem foi inconseqüente, mas eu precisava voltar. Não
era a hora. A Avenida Serra da Esperança fez jus ao seu nome, e um pé de ameixa
me abraçou, antes que eu machucasse alguém ou fosse parar em outro obstáculo,
como um poste, potencialmente mais resistente e fatal. A Esperança, o pé de
Ameixa e a paróquia que fica na mesma avenida, foram meus primeiros
para-médicos, que me fizeram adormecer e não sentir a dor do impacto.
Na Santa Casa de Londrina, mesmo com todas as deficiências
de um hospital público, pude descansar e receber o amparo de toda a equipe
médica, que corria a atender dezenas de pessoas durante toda a manhã. O maior
alívio foi ter visto meu pai e minha mãe juntos, assim como meu amigo que
esteve comigo durante toda a noite e que finalmente me encontrou depois de
tanta procura, quando soube do acidente.
Olho e pernas inchadas, peito marcado pelo cinto de
segurança, que foi imprescindível para minha sobrevivência. Um saldo positivo,
resultado confortante de uma equação que dificilmente se resolveria em vida,
sobretudo visto o carro que se desfigurou terrivelmente.
Eu sei que estou de volta porque não fiz quase nada do meu
propósito aqui. Há muito por cumprir. Agradeço por essa chance e por esse
aviso, de que eu devo valorizar a minha vida, e retribuir tudo que recebo das
pessoas que me amam. Essa noite o blues tocou mais chorado, mas como todo
primeiro acorde que ecoa, há sempre de se esperar pelo estribilho esperançoso
de todas as canções que estão por vir. Que a peça seja longa, calorosa e bela.
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