segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Um pé de ameixa na Avenida Serra da Esperança


Domingo, 12 de Agosto de 2012. Um dia dos pais em que eu pude voltar à vida para abraçar o meu. Eu poderia ter ido embora, seguindo o protocolo e o destino de quem foi inconseqüente, mas eu precisava voltar. Não era a hora. A Avenida Serra da Esperança fez jus ao seu nome, e um pé de ameixa me abraçou, antes que eu machucasse alguém ou fosse parar em outro obstáculo, como um poste, potencialmente mais resistente e fatal. A Esperança, o pé de Ameixa e a paróquia que fica na mesma avenida, foram meus primeiros para-médicos, que me fizeram adormecer e não sentir a dor do impacto.

Na Santa Casa de Londrina, mesmo com todas as deficiências de um hospital público, pude descansar e receber o amparo de toda a equipe médica, que corria a atender dezenas de pessoas durante toda a manhã. O maior alívio foi ter visto meu pai e minha mãe juntos, assim como meu amigo que esteve comigo durante toda a noite e que finalmente me encontrou depois de tanta procura, quando soube do acidente.

Olho e pernas inchadas, peito marcado pelo cinto de segurança, que foi imprescindível para minha sobrevivência. Um saldo positivo, resultado confortante de uma equação que dificilmente se resolveria em vida, sobretudo visto o carro que se desfigurou terrivelmente.

Eu sei que estou de volta porque não fiz quase nada do meu propósito aqui. Há muito por cumprir. Agradeço por essa chance e por esse aviso, de que eu devo valorizar a minha vida, e retribuir tudo que recebo das pessoas que me amam. Essa noite o blues tocou mais chorado, mas como todo primeiro acorde que ecoa, há sempre de se esperar pelo estribilho esperançoso de todas as canções que estão por vir. Que a peça seja longa, calorosa e bela.

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