O blues invadiu o meu corpo, rastejou invisível sob minhas
vísceras, alcançou os pés, as mãos e o último fio de cabelo, me subiu aos céus
e ganhou o inferno inteiro, lavou minhas retinas e assombrou meus ouvidos,
quebrantou minhas fibras e entrelaçou meus dedos, mordeu minha ferida e cuspiu
na minha cara, o blues veio e não saiu, aqui está, arriscando a minha vida,
empurrando conhaque velho goela abaixo, como um slide deslizando gostoso um
clichê do Mississipi nas minhas cordas ensanguentadas. Não consigo dizer adeus
ao blues, tal como um abutre não se afasta da carniça jamais. Eu não sou limpo,
isso aqui não foi pra agradar ninguém. Foi só pra não esquecer que esse é o jeito. É disso que eu lhes falava há pouco, meus amigos. E quando eu finalmente
enterrar meu corpo nalgum canto esquecido dessa cidade, serei eu a uivar
solitariamente nas encruzilhadas erradas destes cantos - o acordo já foi feito
por lá, pacto fechado. Fiquem com Nietzsche. Auf wiedersehen.
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