segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pacto fechado


O blues invadiu o meu corpo, rastejou invisível sob minhas vísceras, alcançou os pés, as mãos e o último fio de cabelo, me subiu aos céus e ganhou o inferno inteiro, lavou minhas retinas e assombrou meus ouvidos, quebrantou minhas fibras e entrelaçou meus dedos, mordeu minha ferida e cuspiu na minha cara, o blues veio e não saiu, aqui está, arriscando a minha vida, empurrando conhaque velho goela abaixo, como um slide deslizando gostoso um clichê do Mississipi nas minhas cordas ensanguentadas. Não consigo dizer adeus ao blues, tal como um abutre não se afasta da carniça jamais. Eu não sou limpo, isso aqui não foi pra agradar ninguém. Foi só pra não esquecer que esse é o jeito. É disso que eu lhes falava há pouco, meus amigos. E quando eu finalmente enterrar meu corpo nalgum canto esquecido dessa cidade, serei eu a uivar solitariamente nas encruzilhadas erradas destes cantos - o acordo já foi feito por lá, pacto fechado. Fiquem com Nietzsche. Auf wiedersehen.

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