domingo, 3 de janeiro de 2010

A casa do Baleiro.


É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis         
é mais fácil mimeografar o passado

que imprimir o futuro

                                                     Não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo maiakóvski na loja de conveniência
não quero ser alegre
como o cão que sai a passear com o seu dono alegre
sob o sol de domingo

Nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
quero no escuro
como um cego tatear estrelas distraídas

Amoras silvestres no passeio público
amores secretos debaixo dos guarda-chuvas
tempestades que não param
pára-raios quem não tem
mesmo que não venha o trem não posso parar

Vejo o mundo passar como passa
uma escola de samba que atravessa
pergunto onde estão teus tamborins
pergunto onde estão teus tamborins
sentado na porta de minha casa
a mesma e única casa
a casa onde eu sempre morei


- A conveniência de se viver parado é, em muitos casos, inevitável. Não é necessário que se mova a todo tempo, mas que o use para se absorver. Dentro de casa pode ser difícil perceber o que se passa lá fora, mas basta abrir as janelas e deixar que o mundo lhe ofereça interesse.

* Zeca Baleiro - Minha Casa

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