Lá fora o frio voltava, e sem ter por quê. Entrei como se fosse normal, já aceito o destino da noite sem lua. Esbarrei nos móveis, todos empoeirados, foi longo o caminho até o interruptor pra encontrar em luz o lápis e o papel. Escrevi meia dúzia de palavras e as achei incríveis, desenhos expressionistas de valores impagáveis pendurados nas paredes do Louvre. Acordei deste delírio de súbito, não te encontrei à porta, voltei os olhos no papel e o sangue lhes escorria e manchava o meu desejo, gota por gota, avermelhando numa abóboda que ia se enchendo, cor de maçã argentina, cobrindo meus dizeres: Envolta nos meus braços, respirei seu cabelo, ela, meu pescoço. Com a casa que construímos, dormimos o mesmo sonho.
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