terça-feira, 19 de julho de 2011

Por ser tão grande

Quando a noite enfim recai, numa semana intensa de inverno, um livro se destaca na estante. Ele tem a pele vermelha, como de maçã - talvez por isso sua projeção.
Na tua ausência eu te descubro por entre as páginas. Estás aqui. Sinto-te.

Quando o vento pára de soprar, Tom Waits recomeça noutra faixa, logo mais. Procuro um verso, um poema intitulado "Maçã". Riso sutil no começo de noite. Voz rouca e piano tímido, Manuel Bandeira então se sobressai:

Não te doas do meu silêncio:
Estou cansado de todas as palavras. 
Não sabes que te amo?
Pousa a mão na minha testa:
Captarás numa palpitação inefável
O sentido da única palavra essencial
- Amor.



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