domingo, 2 de setembro de 2012

Laços

Cortar a rodovia pra encher os olhos de sanidade
Fora da lucidez absorta da cidade
Descendo a serra, sentindo a vida chegando
Ao que ela realmente é

Estaciona na varanda

Rasga a porta
Pisa o chão
Enche o peito

Olá, olá, olá - Recebem as maritacas
Lá vem eles
O caboclo e a italiana
Reinaldo, o rei da humildade
Nenê, senhora criança

Trilha, água, cascata, cachoeira, pedra
Ajuda! - clama Lobo, o cão, ao tentar subir a água
Foi por terra

Pedra alta, casa do gavião
Com licença - adentramos
Senta, olha, pasma
Vento sorvido
Até breve - despede-se o Sol em brasa

Retorna à casa

Arroz, feijão, mandioca, abobrinha
Abobrinha refogada
Boa noite, Lua
- Com sono aguardo a alvorada

Sonha picado
Abre o olho
Suspira o dia

Represa de Chavantes
Embora Cervantes,
Facilmente lhe reverenciaria
Sim, senhor - disse Quixote

Beira o rio e vai

Cachoeira verde
Física moderna
Ou antiguidade clássica cabocla

Estamos de volta
Que bom - disse Luque, o cão caçula
Delícia - escapou da boca do gato Cheid, após a tilápia ingerida

A vida é pra quem se atreve
Entrar na simplicidade das coisas
Criar laços incansavelmente
Ribeirão Claro, até breve

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Apareça!