sábado, 16 de novembro de 2013

Pedaço de nada de algo inexistente

não sinto nada
eu bebo, eu fumo
eu trago, eu paro
ando, paro, penso
e nada sinto
não consigo chorar
ou rir por um istante
subo o som bem alto em canções tristes
não consigo arrepiar
sombrancelhas dançam em vão
voz adormecida em desuso
na TV o gol
na rua a chuva
na sombra o frio
eu olho em tudo mas não vejo nada
álcool, cannabis, nicotina, letras
tudo insípido, insuficiente, ineficaz
esperança escassa
nem mesmo um blues em brasa
me abala a alma
intocável objeto
insensível sujeito
o tempo passa e o espaço fica
eu nada sinto
uma história passada
um labirinto místico
acordes indecisos no violão
cães ladram na rua
o vento cessa
a bebida acaba
a luz se apaga
amanhã tudo de novo

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