quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fotolink aproxima artistas com o público

Encontro com o artista provém valorização e proximidade dos admiradores da arte fotográfica com os artistas participantes.  

No evento que aconteceu no último sábado (17), pessoas da comunidade, entre elas, estudantes, educadores e demais admiradores da arte tiveram um encontro com os artistas do Fotolink – Festival Internacional da Imagem.. Somando sensações de amizade e profissionalismo, Edson Vieira, Natália Lima Castro, Walter Ney, Maíra Motta, Karen Debértolis, Wiviane Knott e Fábio Gatti apresentaram suas obras e, ao final das apresentações, receberam comentários e elogios do público presente.

Os autores expuseram seus mais recentes trabalhos. Walter Ney, iniciando o evento, mostrou um vídeo com fotografias tiradas em Itaberaba (BA). “DOR” é o nome da obra que expressa a vida e o abate dos bois em uma fazenda, assim como a relação do homem com os animais. O baiano de Andaraí comentou sobre sua infância e fascínio pela fotografia que aconteceu aos 17 anos. Também já teve participação no Festival Internacional de Londrina (FILO), montando uma oficina de fotografia com os alunos do Centro Estadual de Educação para Jovens e Adultos (CEEBJA).  

O professor e fotógrafo Edson Vieira expôs seu trabalho realizado com registros históricos da cidade de Londrina. Com uma preocupação em recuperar negativos do antigo “Foto Estrela”, Vieira mostrou imagens que retratavam desde o progresso econômico da cidade, provenientes do café, até seu declínio. Recuperou fotografias de Armínio Kaiser que registrava a decadência e a desilusão do trabalhador rural que via-se já em um ambiente bem menos promissor. Um pouco do trabalho de Edson Vieira pode ser acessado em www.camaraclara.org.br.

Wiviane Knott, professora e estudante da Especialização Práxis e Discurso Fotográfico pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), apresentou seu trabalho realizado na Grécia, Espanha e Brasil a partir de câmeras de lomografia. Associando a arte ao cotidiano, a artista registra de uma maneira rica e experimental as situações do dia-a-dia das pessoas. Ainda lamenta a falta de câmeras de lomo no Brasil e informa que sua fabricação é Chinesa – originalmente e não mais em produção na Rússia.

Sexualidade e brinquedos infantis constroem o mais recente trabalho de Fábio Gatti, fotógrafo formado em desenho industrial e pós-graduado em Fotografia pela UEL. Em ensaio com bonecas que se relacionam com o ambiente e insinuam uma relação sexual, Gatti mostrou sua obra intitulada como “Auto Retrato”. Ainda comentou sobre outro trabalho, “Caderno meu cu”, que aborda temas bíblicos e discussão sexual.

Natália Lima Castro apresentou “In a dream”, seu último trabalho fotográfico. A obra é marcada por elementos oníricos e é elaborada com performances teatrais que representam a relação do homem e da mulher. Faz uma crítica a uma sociedade machista por meio de artistas homens, e aborda temas homossexuais nas representações. A estudante de jornalismo também faz parte do Coletivo Manada – Grupo composto por vários artistas de diferentes vertentes da expressão da arte.

Maíra Motta, fotógrafa formada em desenho industrial e especializada em fotografia Pela UEL, mostrou seu mais recente trabalho realizado a partir de um projeto de Karen Debértolis que dividiu poemas para que fossem fotografados e traduzidos pela poética de cada artista. Maíra ao ler o poema “Ignorância”, não hesitou “É meu!”, as palavras do poema traduziam perfeitamente os momentos e emoções que a fotógrafa passava. O questionamento do descaso e do preconceito que o estrangeiro tem pelos hábitos e costumes brasileiros são marcas do trabalho de Maíra – que também fez imagens de “O cotidiano das coisas”, mais um poema de Karen Debértolis.

Finalizando as apresentações do encontro, a escritora e jornalista Karen Debértolis mostrou o que seria o seu trabalho que mais se relaciona com a fotografia: “A estalagem das almas” é uma produção literária que traduz a poética da imagem. A obra que teve trabalhos co-relacionados com a fotografia, também se transformou em peça teatral em 2008. “O livro é um objeto de arte”, acrescentou a escritora ao confessar que já adquiriu vários livros pela arte das capas e que em muitas vezes valeram a pena as aquisições.

O bate-papo se encerrou com alguns comentários do público presente que agradeciam pela disposição e preocupação dos artistas para com os convidados e pessoas da comunidade. A competência e a riqueza poética de cada trabalho juntamente com a proximidade dos artistas com o público marcaram o encontro que trouxe aos admiradores, a força cultural de nossa região, e aos artistas, o reconhecimento e motivação para que os trabalhos continuem em produção.




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