Isso vai doer como uma bala alojada no baixo ventre,
esperando o momento certo de alastrar o chumbo para todo o organismo e ferir as
vísceras, uma a uma, como que num fúnebre dominó na mesa suja de uma varanda
abandonada de um boteco da zona oeste.
Isso machuca, eu sinto o golpe agora, desferido
violentamente em silêncio contra minha testa, estômago e pescoço. O fogo
carburando o último átomo de gasolina dentro do pistão, explodindo finalmente o
combustível assombroso que faz um trem descarrilar e um carro perder o controle
na curva.
Isso mergulha, e fura a espessa superfície de um livro
velho, ainda não fichado. Uma vontade
humilhante de ouvir o Dark Side of the Moon sozinho e resignado. Cinco litros
de café manchando o dia como óleo diesel, lubrificando e queimando toda a
estrada embora pra casa.
Isso é mais um espasmo, uma luz que se apaga numa madrugada
surreal de um outono precoce. Um solo de gaita descontextualizado, distante e
afiado como um slide de navalha num vagão de trem indo pra St. Louis. Isso está
terminando, embora pareça não me deixar nunca. E antes que acabe o último
refrão de blues, eu vou uivar como um lobo bastardo procurando o caminho de volta depois de uma
caçada realmente iluminada.
E, merda, eu não desejo isso a ninguém - I got the blues
again.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Apareça!