sexta-feira, 28 de junho de 2013

De onde eu vim

de onde eu vim
eu não entendo
do sul da Espanha e Itália
de uma figueira em Lisboa
de uma passagem à toa
um silêncio Atlântico

de onde eu vim
não sei bem certo
um desenho a lápis
numa escola de Cambé
um risco a tijolo
na rua café caturra

de onde vim
pra ser quem sou
era asfáltico e pedregoso
melancolia e afeição
sorriso frio e peito quente
em manhãs claras de inverno

eu vim
de onde eu fui
ser menino branco
num sonho rubro
ser tristeza branda
num pranto alegre
ser presente vivo
de um dia como hoje
- tão perto do passado
das ruas
da febre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Apareça!