Jornais do mundo burguês
abrem-se em manchetes colossais
e do lado esquerdo da rua
o silêncio
Do bangalô de luxo um suspiro
um suspiro do senhor do bangalô
e do lado esquerdo da rua
o silêncio
Foguetes ensurdecedores
rasgam o firmamento
em violentas explosões de júbilo
e do lado esquerdo da rua
o silêncio
O nome de Deus
pelas caridosas senhoras do soçaite
é pronunciado com emoção
elas agradecem
a salvação dos seus palácios
e suas piscinas ornamentadas
de coxas
seios
e virgindades mortas
e do lado esquerdo da rua
o silêncio
A "sagrada" propriedade
privada
da terra ensanguentada
está salva
os senhores da terra
matam bois e carneiros
para a festa antecipada
e do lado esquerdo da rua
o silêncio
O silêncio
do silêncio surge a "profecia"
"toda noite tem aurora"
quebra-se o silêncio
do lado esquerdo da rua
rompe o sol no horizonte
os raios invadem o lado
esquerdo da rua
a liberdade se anuncia
treme o lado
direito da rua
*Poema de Manoel Coelho Raposo, feito em 1964, durante sua
prisão no Quartel do 23º BC, Fortaleza, Ceará.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Apareça!